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Rocker, camber, hybrid, flex, sidecut, twin, true twin, asymmetrical, taper, effective edge bla-bla-bla…

Você sabe o que tudo isso significa e pra que serve? Não?

Vai ficar sabendo a partir de agora.

Certamente você já esteve no meio de uma conversa sobre snowboards com aquela sensação de entender absolutamente nada do assunto, esse tutorial vai te ajudar a ficar mais familiarizado com as principais características das pranchas de snow.

First things first…

Não basta saber o que essas palavras significam na construção de uma prancha, você precisa saber pra que isso serve e como cada umas dessas características pode influenciar no resultado, no seu desempenho, por isso, vamos falar primeiro do que é mais relevante.

Rocker e Camber são os formatos mais conhecidos de pranchas, mas com o passar dos anos surgiram dezenas de variações, não iremos falar de todas elas porque seria inútil, a verdade é que no mercado atualmente existe a predominância dos shapes Camber, seguidos não tão de perto pelos Híbridos.

 

ROCKER

Pense nesse formato como a figura de uma banana… Você subiria em uma banana pra descer uma montanha cheia de neve? Nem eu… Por isso não gosto de pranchas Rocker, claro que no final das contas isso pode ser só questão de preferência em alguns casos.

A ideia desse tutorial é justamente dar minha opinião sobre os equipamentos que já usei e testei, por isso, não interprete tudo como “regra”, porque em relação a determinadas características de fato existirá diferentes sensações dependendo de cada pessoa.

O perfil PURE ROCKER é bastante incomum nas pranchas atuais, mas não poderia haver um tutorial sobre snowboards sem mencionar esse clássico.

Aqui o principal ponto de contato é no centro da prancha, entre os bindings, o que torna esse tipo de “shape” mais solto, mais escorregadio, facilitando a iniciação das curvas (para quem está aprendendo) uma vez que as sessões mais largas (pontos de contato), não estão em contato constante com a neve (uplifted). Quando você ler / ouvir novamente a expressão “catch free”, saiba que essas pranchas Rocker ajudam com isso.

Para praticantes mais avançados esse tipo de shape dá mais sustentação no powder (hoje existem diversas variações melhores).

Opinião pessoal sobre pranchas Rocker: formato ultrapassado e utilizado por poucas marcas (das maiores), seria como em 2018 comprar um carro com câmbio manual só porque você acha legalzão.

Uma marca conhecida pelas pranchas Rocker é a Lib Tech, pelo logo podemos ver que os caras gostam de um shape Rocker.

Arbor e Jones também fabricam shapes Rocker, sendo que essa última na linha apenas de pranchas voltadas para powder.

Agora um fato curioso, a Lib Tech famosa por pranchas como a Skate Banana, realmente produz esses shapes? A resposta é NÃO. A Lib Tech que usa em seu logo a bananinha, na verdade não fabrica shapes “PURE ROCKER”.

Todos os shapes da Lib Tech são “híbridos”, uma combinação de Rocker + Camber.

Porém, na minha concepção e parece que na deles também, todos os shapes “híbridos” fabricados pela Lib Tech são predominantemente Rocker. Você deve estar pensando: “agora que eu to entendendo mais nada”, pois é, explicarei melhor quando falar dos shapes Hybrid.

Existem outras marcas que fabricam pranchas “PURE ROCKER”? Certamente, mas das mais relevantes (salvo engano), apenas essas, Arbor e Jones. Bom lembrar que o objetivo desse tutorial é informar – não ser o dono da verdade – podem existir outras marcas que desconheço ou até mesmo algumas pranchas não vendidas atualmente.

Resumo: É um formato de prancha mais instável, mais “solta / escorregadia”, mas que ao mesmo tempo ajuda nas transições de curvas (edge to edge) e oferece mais sustentação no powder.

Não é meu tipo de prancha, não recomendo, se você quer ter facilidade pra fazer curvas, faça aulas, treine, se você quer sustentação no powder, compre uma prancha pra powder…

MODELOS DISPONÍVEIS: Arbor Coda Rocker, DC Focus. (Muitos modelos da Arbor).

 

CAMBER

De cara se percebe o formato mais estável que a Rocker, obviamente que com o peso do seu corpo em cima da prancha esse “arco” flexiona deixando a base quase que integralmente em contato com a neve, aumentando a sustentação e equilíbrio, mas não é só isso.

Essa curvatura (Camber significa exatamente isso, curvatura), não só deixa a prancha mais estável como também funciona como uma espécie de mola, armazenando a energia nas curvas (carvings) e nos “pops”, movimento que ajuda nos saltos.

Realmente esse tipo de prancha tem uma transição mais lenta de um edge para o outro, requer maior habilidade, mas não ao ponto de impedir que você progrida ou acerte esse tipo de manobra desde as primeiras tentativas.

Pra quem está realmente começando, ainda naqueles exercícios “sidesleeping” ou “folha seca” como dizemos no Brasil, uma prancha Camber pode dificultar as coisas, nada que um treino adequado não corrija, porém, o importante é aprender do jeito certo desde a primeira vez e se você fizer isso, não será o formato da prancha um obstáculo.

Usei por muitos anos uma prancha “Hybrid”, (objeto do próximo tópico) e sem perceber, por falta de conhecimento, sofria com equilíbrio na aproximação de saltos em terreno irregular e principalmente em pistas planas (cat tracks) e duras (gelo).

As pranchas Camber permitem que você ande por terrenos assim com muito mais facilidade e menos esforço, sem a necessidade de ficar trocando de edge, fazendo aquele “zigue-zague” cansativo o tempo todo. Andar “flat” (apoiado com toda a base da prancha na neve) é algo fácil e recomendado? Não, mas isso é uma história para outro tutorial.

Resumo: É uma prancha muito mais estável, boa para carving, saltos, park, etc, permite que você ande com menos esforço em condições de gelo e pistas planas, aquelas estradinhas que todo iniciante tem verdadeiro pesadelo de passar e cair penhasco abaixo.

Entre todos os formatos de snowboards disponíveis minha escolha pessoal é o Traditional Camber, o mesmo da imagem no início desse tópico.

MODELOS DISPONÍVEIS: Burton Custom Camber, Arbor Westmark Camber, Bataleon Evil Twin, Nitro Team etc.

Obs. Esse tipo de shape oferece provavelmente a maior variedade de modelos no mercado.

 

HYBRID

Aqui começa a grande discussão “conceitual”. Na opinião deste humilde snowboarder que vos escreve o shape “hybrid” é esse da imagem acima, ou seja, Camber embaixo dos bindings (embaixo dos pés) e Rocker entre os bindings (entre os pés).

Existem outros conceitos do que seria uma prancha hybrid? Sim, existem muitos outros, mas que pra mim são apenas variações do Camber, para que isso seja mais compreensível, vou dar exemplos.

Mas antes é preciso dizer qual é a intenção desse tipo de prancha. Agregar (teoricamente) o melhor dos dois formatos e criar uma prancha capaz de ser usada em todos os tipos de terreno e condições de neve.

O formato mais comum de pranchas híbridas é este da imagem acima, Rocker entre os bindings e camber embaixo dos bindings, consequentemente outra sessão “rocker” nos pontos mais largos da prancha o que traz um movimento mais solto na transição das curvas, sem comprometer o “pop”, característica importante em saltos e outras manobras, também melhora a flutuação no powder.

Algumas marcas invertem esse formato, com Camber entre os bindings e Rocker em direção ao nose e tail a fim de manter a capacidade de carving e ao mesmo tempo suavizar o ponto de contato tornando-o mais “catch free”, o que significa dizer que a prancha não prende tanto na neve durante a transição de curvas.

Uma das pranchas mais premiadas dos últimos tempos é a CAPITA D.O.A.

Qual é o formato dessa prancha? Na minha opinião, CAMBER, pra muita gente e para a própria Capita, HYBRID.

Por que?

Porque ela é uma prancha Camber com pequenas sessões flat em direção ao nose e tail, espécie de variação do “reverse camber” existente em todas as pranchas, enfim, melhor que tentar explicar, é mostrar uma imagem…

Camber entre os bindings, uma sessão FLAT que eles chamam de “zero camber” fora dos bindings ou como diriam em inglês “outside contact points”.

Aqui surge o segundo grande problema conceitual (no meu ponto de vista). TODAS as pranchas Camber obrigatoriamente terão uma sessão “reverse camber / rocker”, do contrário seria impossível a prancha deslizar na neve, imaginem o shape Rocker, mas virado para baixo, as pontas (nose e tail) iriam cravar no chão.

Chega em um ponto e a prancha precisa ter sua curvatura para cima e isso chamam de reverse.

Seria fácil se alguns não chamassem isso de “Rocker” também e aí que tudo vira uma grande confusão.

Esse formato Flat + Camber + Flat é que deu início à batalha de titãs, o Fla Flu do snowboard, a comparação entre a CAPITA D.O.A. e a BURTON PROCESS PURE POP (Camber).

O desenho que ilustra a PROCESS é um pouco diferente, mas mostra as mesmas características.

O que essas sessões Flat têm de tão diferente em relação a uma prancha Traditional Camber?

Mais estabilidade, mais “pop” e mais facilidade na iniciação de curvas.

São muito parecidas com as Camber tradicionais, por isso mesmo não as considero híbridas.

Ahhh, mas então quais são as híbridas no meu conceito? TODAS as pranchas da Lib Tech e as pranchas com tecnologia FLYING V da Burton. Vou mais além na polêmica; todas essas pranchas são Rocker, porque o principal ponto de contato está entre os bindings.

Agora eu sei o que você está pensando: “chega, não quero mais ler essa porcaria”… Caro amigo, não desista, meu conceito é bem mais sensato e simples de entender (bear with me).

Existem outros formatos híbridos? Existem vários, mas esse tutorial já está longo demais e ainda tem muita coisa pela frente.

MODELOS DISPONÍVEIS HYBRID (MEU CONCEITO): Burton Custom Flying V, Lib Tech (qualquer modelo).

MODELOS DISPONÍVEIS HYBRID (DE ACORDO COM ALGUMAS MARCAS E LOJAS): Capita Defenders Of Awesome (D.O.A.), Burton Process. Dezenas de outros.

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Daqui em diante irei dar apenas conceitos objetivos.

FLEX – A palavra já diz tudo, o “flex” da prancha é a flexibilidade (torção) de cada shape, a escala vai de 1 a 10, embora seja raríssimo encontrar uma prancha mais flexível que 3 e mais dura que 7, pra falar a verdade, não conheço pranchas com flex 2, por exemplo…

O que isso muda na sua vida? Mais flexível é melhor para manobras em parks, particularmente “jibs”, “rails”, etc. Menos flexível ou mais dura a prancha irá te ajudar em carvings, em altas velocidades, consequentemente controle e em powder.

TWIN – A palavra também define, mas não é tão óbvia. Shapes “twin” são aquelas pranchas com características iguais nas duas extremidades (nose e tail) nariz e bunda ou bico e rabo, como você preferir chamar.

Quais são essas características? Tamanho e forma, flexibilidade e distância entre os bindings e as pontas da prancha. Se a prancha tiver tudo isso exatamente idêntico ela será chamada de TRUE TWIN.

Existem as pranchas Directional Twin, mas isso é tão complicado de explicar que é melhor você comprar a TWIN logo de uma vez e ser feliz.

Pra que servem as TWIN? Parks, saltos, giros, andar de base trocada (switch stance).

DIRECTIONAL – Por óbvio são o oposto, são diferentes atrás e na frente. As pranchas direcionais possuem nose mais longo, bindings geralmente posicionados em direção ao tail e mais rígidas na parte de trás.

Pra que servem? Para carving, altas velocidades, powder… Você pode andar de base trocada com uma prancha dessas, claro que sim, mas dependendo do modelo isso vai requerer muita habilidade.

ASYMMETRICAL – Também a palavra já é auto explicativa, são pranchas com formatos diferentes nas extremidades (nose e tail), bem como nos edges (laterais).

A “assimetria” que interessa é justamente dos “edges”, onde um lado é mais longo que o outro favorecendo as curvas de carving de acordo com a orientação de cada usuário (pé esquerdo na frente ou pé direito).

Você deve comprar essas pranchas de acordo com seu jeito de andar (regular ou goofy), uma prancha não servirá para ambos os tipos de praticantes de snowboard.

 

TAPER ou TAPERED SHAPE – Essa é fácil, taper são aquelas pranchas com a parte de trás mais estreita que a parte da frente, as vezes a diferença pode ser um fio de cabelo, as vezes não tão sutil.

Essa característica é bastante comum em pranchas de powder, mas também pode ser vista em pranchas direcionais com o objetivo de facilitar as curvas.

SIDECUT E SIDECUT RADIUS – Na minha opinião essa é uma característica não tão relevante. Todas as pranchas possuem uma “cintura”, são mais estreitas no meio e mais largas nos pontos de contato.

“Ahhh, mas você disse que a Rocker tem o ponto de contato no meio da prancha…”. Sim, eu disse, mas agora estamos falando dos pontos de contato “nose e tail” que são o reverse camber (ou próximo disso) de qualquer prancha.

Essa “cintura” pode ser mais profunda ou mais superficial (maior ou menor). Quanto mais profundo o sidecut, menor será a curva dessa prancha (sidecut radius). Quanto menor a “cintura”, maior será esse arco de curva.

Na prática, sidecut mais profundo significa curvas menores e mais rápidas, sidecut mais superficial significa curvas maiores e mais lentas.

Pranchas boas para Carving possuem sidecut menor (menos profundo) que as convencionais.

EFFECTIVE EDGE – Por fim algo que pouca gente sabe o que significa e menos gente ainda sabe para o que serve. Esta é uma medida da prancha quase que absolutamente negligenciada por todos (inclusive por mim) no momento de comprar uma prancha nova.

Sempre queremos saber o tamanho da prancha… Compro uma 156 ou 155, qual seria a melhor para o meu peso e altura? Bem, essas medidas “156”, “157” etc, são entre uma ponta e outra (nose e tail).

Todos esses 157 centímetros tocam a neve? Não… Então o que importa? O que importa é o “Effective Edge”, parte da prancha entre os pontos de contato, ou seja, antes do “reverse camber”.

Vejamos na prática…

Essas são as dimensões de uma BURTON PROCESS PURE POP

Na prancha “157” o Effective Edge é de 117,5 centímetros, ou seja, a dimensão da prancha que “efetivamente” entra em contato com a neve é aproximadamente 40 centímetros menor que a dimensão total.

Tá, e daí? Daí que nem todas as pranchas são iguais e muitas vezes você pode reduzir o tamanho total da sua prancha com base no effective edge.

Essas são as dimensões de uma BURTON CUSTOM.

Veja que é uma prancha menor “154” com O MESMO effective edge que a outra maior (157).

Resumo… Se você usa uma BURTON PROCESS 157, pode usar uma BURTON CUSTOM 154, elas têm exatamente o mesmo “effective edge” que é a dimensão que realmente importa.

Esse tutorial vai ajudar você a ser um melhor “Rider”? Não, infelizmente não… Mas certamente vai te ajudar a entender melhor os diferentes formatos de pranchas e talvez te ajudar a comprar a próxima prancha sem me chamar no WhatsApp dizendo: Rey me ajuda aí irmãooooo!

Pra terminar, a dica de ouro… Se você pretende ter apenas uma prancha, o que acredito ser o caso da grande maioria, procure algo com as características mais versáteis possíveis, ou seja, uma All Mountain, True Twin, Flex 5 e Camber, pelo amor de Deus, CAMBER!

O Camp é uma experiência completamente diferente das aulas que você conhece. É um projeto de imersão, para se aperfeiçoar de verdade no Snowboard,